Página com imagens da “Madeira quase esquecida” cativa mais de 15 mil fãs

Cerca de 1.500 imagens que retratam uma “Madeira quase esquecida” estão disponíveis no Facebook, com mais de 15.500 fãs, um projeto que está atrair sobretudo as comunidades de emigrantes, que assim se sentem menos distantes da ilha.

A ideia partiu de Don Amaro, um técnico de informática holandês, filho de uma madeirense, que se interessa pelo património da ilha, e que desafiou Hugo Reis, detentor de uma grande coleção de imagens antigas da Madeira, a criar a página “Madeira quase esquecida”.

A página surgiu em abril de 2011 no Facebook com fotos, distribuídas por mais de meia centena de álbuns que mostram lugares, tradições, ofícios, edifícios, personalidades que marcaram o passado e o quotidiano de outros tempos, registando uma média de 100 “gostos” por dia.

“Assim outros fora da ilha começam a ver que existe um lugar onde podem ver a Madeira como era antes e notamos que começou a ter o interesse que eu já esperava”, disse à agência Lusa Don Amaro, salientando que a página “automaticamente se internacionalizou, através das ‘partilhas'”.

“Tudo começou porque notámos uma lacuna no que diz respeito ao património da Madeira e à sua valorização”, complementou o colecionador e fotógrafo Hugo Reis, destacando que este projeto também tem por objetivo “chamar a atenção das autoridades para a sua conservação”.

Hugo Reis acrescentou que “grande parte dos ‘visitantes’ são pessoas de fora da terra, emigrantes, “que gostam da página porque os faz recordar cenas que viveram enquanto estavam na região”, sublinhando que o projeto “está a crescer a um ritmo acelerado”.

Por isso, precisaram de ajuda e formaram um pequeno grupo recrutando a funcionária pública Madalena Vieira, que consideram a “investigadora” e a “avançada” do grupo, a professora Lígia Almeida Oliveira, que “não descansa até descobrir as localizações das imagens antigas” e o militar José Lemos da Silva, a quem apelidam de “enciclopédia” devido aos seus conhecimentos históricos.

O fotógrafo realçou que o grupo trabalha “sem apoios de entidades oficiais, nos tempos livres, suportando todos os custos associados às atividades que desenvolvem”, fazendo tudo “por amor à camisola e ao património que muitas vezes está degradado e num estado lastimável”.

É com entusiasmo que os mais recentes elementos do grupo falam de como desenvolvem os projetos e Lígia Almeida Oliveira afirmou: “O nosso método de trabalho não é muito estruturado, não somos muitos organizados, mas conseguimos trabalhar juntos”.

E a “investigadora” Madalena Vieira adiantou que percorrem a ilha à “descoberta”, um trabalho que acaba por ser gratificante quando leem os comentários de reconhecimento dos amigos na página e ao constatarem que muitos os encaram “já como uma base de dados”.

“Essa Madeira quase esquecida está presente sempre nos nossos dias, quando calçaríamos a cidade, as localidades, a nossas lombadas, os nossos lombos [encostas], achadas e picos”, disse ainda o militar José Lemos Silva, admitindo que o projeto “até pode fugir um pouco ao controle, mas o que se mantém é o passado no presente”.

O grupo quer continuar a “trabalhar mais e melhor”, está a preparar uma página na internet e foi convidado para divulgar o trabalho na livraria FNAC, em julho, o que inclui uma exposição de fotografias que vai estar patente durante dois meses e cogita abrir o grupo à participação de mais interessados no património de outros tempos.

Lusa
dnoticias.pt – 25 Mai 2013